sábado, 4 de dezembro de 2010

A day saved

A Day Saved, da série Collected Short Stories, 2003 (© Daniel Blaufuks)

Rodrigo Oliveira - Ninguém podia dormir na rede porque a casa não tinha parede

RODRIGO OLIVEIRA
Ninguém podia dormir na rede porque a casa não tinha parede
18.11.2010 - 15.01.2011 - Galeria Filomena Soares - Lisboa


Rodrigo Oliveira apropriou-se dos versos de "A Casa" de Vinicius de Morais para alegoricamente intitular este novo projecto constituído por um conjunto de obras realizadas especificamente para a exposição voltando a surpreender-nos pela criatividade e infinita diversidade de materiais de que se serva para concretização plástica das suas ideias
A exposição inicia com "Blindex (1535-143 AD)" (2010) uma instalação interactiva constituída por uma série de eixos com portas giratórias espelhadas em que cada porta é formada por outras portas.
No seguimento de trabalhos anteriores e das pesquisas conceptuais que têm acompanhado as suas reflexões artísticas, mostra-nos uma vez mais o resultado visual da união da arquitectura com a escultura e a consequente relação com o espaço e sua percepção, tornando-se o termo Blindex pressuposto de um jogo de semântica intrinsecamente relacionado com o entendimento da obra. À cegueira (blind) imposta pelos reflexos corresponde à convocação, para primeiro plano, do corpo do espectador e do lugar que ocupa na vivência do espaço da estrutura.
O subtítulo da peça, por sua vez, remete para o ponto de partida referencial do artista: 1535-143 AD é o número de inventário de uma fotografia[1] do filme The secret Beyond the Door (1948) do realizador Fritz Lang na qual a personagem interpretada por Joan Bennett surge encostada a uma porta de proporções desmesuradas e perspectiva deformada criando tensão psicológica e desconcertando o campo visual da imagem.
Servindo-se da interactividade e da duplicação, criou módulos transportáveis que formam um conjunto que controverte as produções herméticas contemporâneas desafiando o espectador a tornar-se parte integrante da obra num exercício sensorial e de experimentação. Em "Blindex (1535-143 AD)" o visitante inicia um trajecto sem destino em que o confronto com a sua imagem nos espelhos e a presença da arquitectura sentida pelos espaços interstícios das portas circulatórias nos recorda o elemento fundamental da narrativa do filme que inspirou a peça, "o mistério da porta". As portas não abrem nem fecham, rodam e criam espaços intermédios accionados pelo espectador que percorre o espaço assombrado pela sua própria imagem multiplicada e fragmentada nas superfícies reflectoras num jogo óptico inesperado.
O visitante vai e volta, circula e comunica com o espaço, mas o que está por detrás das portas? Onde os leva este percurso? Dejà vu? Não sabe mas a experiência ficar-lhe-á na memória...

Ainda na sala principal da galeria uma outra instalação interactiva - "Capanema" (2010) - atesta a hábil capacidade do artista de se apropriar de uma quantidade ilimitada de matérias e objectos que descontextualiza da sua primordial função e transpõe para o campo das artes plásticas. Temos assim o conceito do ready made com a improvisação subjacente a essa estratégia artística e ainda um outro exemplo da combinação da escultura, instalação, arquitectura e mecânica com o intuito de estabelecer um diálogo entre o espectador, obra e espaço.
Esta instalação é composta por duas peças que se complementam. Uma, suspensa no tecto, é constituída por uma estrutura de metal com sistema basculante e forrada com tecidos de espreguiçadeiras de praia, criando um toldo multicolor formado por diversas palas que se movem e reconfiguram através de uma manivela, possibilitando ao espectador um papel interactivo na configuração da peça. A investigação do legado modernista está presente nos padrões que nos reportam para os esquemas geométricos modernistas e o ponto de partida da obra é contextualizado pelo quadro instalado na parede próxima e que, refira-se, representa o segundo elemento da instalação.
Neste elemento gráfico é evidente a analogia com os quadros informativos que encontramos nas entradas dos prédios e edifícios públicos, mas aqui o fundo de feltro mostra-nos uma reinterpretação de um desenho que o arquitecto paisagista Burle Marx realizou para os jardins tropicais dos terraços do Palácio Gustavo Capanema. Esse edifício, outrora sede do Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro, foi projectado por uma equipe de arquitectos[2] pioneiros na introdução da arquitectura moderna no país seguindo alguns princípios arquitectónicos sugeridos por Le Corbusier nomeadamente as palas de sombreamento reguláveis em amianto que encontramos na fachada norte: o brise-soleil, dispositivo arquitectónico atribuído ao arquitecto suíço.
Rodrigo Oliveira tira partido do simbolismo e associações culturais óbvias em alguns objectos e materiais e intervém alterando as suas propriedades físicas, subvertendo consequentemente a sua significação e admitindo, por último, que o quotidiano se torne uma escultura!

As obras expostas na segunda sala da galeria dão continuidade a estas reflexões plásticas e relacionam-se directamente com "Blindex (1535-143 AD)" e "Capanema" num trabalho de continuidade e coerência.
"Cada casa é um caso (arquivo geral)" (2010) parte da recorrente investigação de esquemas arquitectónicos e sistemas habitacionais presentes nos modos de organização residencial das sociedades modernas de acordo com um ideário rigidamente moderno: modularizado, rectilíneo e racional. O unité d`habitacion, seja alusivo a uma habitação social ou a um condomínio, é novamente importado e cada caixa corresponde a uma varanda e por sua vez a uma casa. Este arquivo-gaveta que regista e arquiva distintas realidades privadas que não sabemos o que escondem volta ao clássico cinematográfico de Fritz Lang e à história do arquitecto que colecciona salas onde ocorrem crimes!
Por último, e ainda na segunda sala, um conjunto de Fachadas assimétricas mostra-nos ensaios de estruturas arquitectónicas que ligam a arquitectura a problemáticas da história da pintura. Conceptualmente têm origem num programa previamente elaborado em que as referências são estruturas e desenhos de projectos de arquitectura, em particular de Corbusier. Nestas obras, declaradamente como na instalação "Capanema", são as fachadas o elemento arquitectónico a prevalecer pois tanto o brise soleil como as estruturas monumentais em betão que Corbusier edificou por exemplo em Chandigarh (Índia) mais que arquitectónicas são escultóricas!
O emprego de superfícies reflectoras e transparentes ao mesmo tempo que introduz variação e dinâmica, destabiliza a realidade e reconstrói o espaço circundante, alterando, deste modo, o campo visual: abrem novos planos, expandem e comprimem o espaço, subvertem e multiplicam a sua percepção e têm ainda a importante função de proporcionar uma identificação entre a obra e o espectador.

Em "Ninguém podia dormir na rede porque a casa não tinha parede" voltamos a ter arquitectura, forma, estrutura e vivência do espaço, denominadores comuns do trabalho do artista Rodrigo Oliveira concretizados em "esculturas e instalações que no seu rigor, elegância formal e aparente frontalidade, escondem sempre um complexo sobrepor de sentidos, e vêm quase sempre acompanhadas de grandes doses de humor, muitas vezes corrosivo e nunca isento de crítica[3]"


[1] Imagem de pesquisa capa do livro Sexuality & Space investigadora e professora de arquitectura Beatriz Colomina, ed. Princeton Papers on Architecture press, Nova Yorque, 1992

[2] Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Jorge Machado Moreira, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos
[3] Ricardo Nicolau "Atenção" in catálogo da exposição Joke, Satire, Irony and Serious Meaning, European Triennial of Small-Scale Sculpture, Gallery of Murska Sobota, Eslovénia, curadoria: Thomas Deckee

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

(Dream) - Fernando Pessoa

(dream)

Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.
Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.
Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.
Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.

Fernando Pessoa

Fonte: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/



David Fonseca - "Rocket Man"

Fonte: http://www.davidfonseca.com/

Contraluz

Filme do realizador português Fernando Fragata inteiramente filmado nos Estados Unidos que conta no elenco com actores americanos e portugueses, entre eles, Joaquim de Almeida e Evelina Pereira.Uma história ao estilo de Twilight Zone (A Quinta Dimensão) com um forte conteúdo Humanitário.


Banda sonora original:

Fonte: http://filmecontraluz.com/CONTRALUZ/soundtrack.html

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vídeo Arte - Jorge Macchi



Streamline,2006
Jorge Macchi- Edgardo Rudnitzky.
Videoproyeccion.
DVD NTSC COLOR
AUDIO PCM
Dur.: 5:08 minutos en loop.
Música compuesta por Edgardo Rudnitzky
Edicion digital: De Cristobal y asociados

Fonte: http://www.jorgemacchi.com/cast/videos_2.htm#

Future of learning

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=-JTc9HeTh1A&feature=related

As teorias de aprendizagem e as TIC - Actividade 3

A aprendizagem na abordagem comportamentalista (behaviorista) é uma modificação de comportamento provocada pelo agente que ensina, usando estímulos sobre o sujeito que aprende. A pedagogia é directiva. O aluno aprende se o professor ensina. O professor acredita no mito da transferência do conhecimento e o aluno recebe passivamente os conhecimentos. Skinner (1904-1984), psicólogo americano, utilizou o modelo experimental de Watson (1878-1958) para o estudo do comportamento humano, sendo a sua teoria conhecida como ‘Condicionamento operante’. Esta aprendizagem deu origem ao Ensino Assistido por Computador que herdou os princípios do Ensino Programado, aparecendo o conceito de ‘feedback’, confirmação imediata da resposta. Programas de exercício e prática (drill & practice) e treino de competências básicas são os métodos de ensino e aprendizagem desta concepção. Ambientes de aprendizagem muito estruturados.

A aprendizagem na abordagem cognitivista tem, em conta, as condições do conhecimento que são inatas ao indivíduo quando nasce, excluindo o meio social em que vive. A pedagogia é não-directiva, o professor é um auxiliar do aluno, um facilitador e deve intervir o menos possível. O professor além de ensinar, passa a aprender, e o aluno, além de aprender, passa a ensinar. Segundo Piaget, o conhecimento se constrói na interacção do sujeito com o objecto. Compara a mente a um computador. A aprendizagem baseia-se no computador digital. Aprender implica representar a informação e processá-la (Inputs e Outputs). A perspectiva piagetiana do desenvolvimento cognitivo foi traduzida por Papert (1980) no sistema Logo, modelo da aprendizagem pela descoberta. Dificuldade em transferir. A criança programa o computador em vez de ser programada por ele. Ambientes de aprendizagem pouco estruturados.

A aprendizagem na abordagem contextualista vê o conhecimento como um produto da interacção social e da cultura. Vygotsky preocupa-se com as relações entre o pensamento verbal e a linguagem e dá importância à relação e interacção com outras pessoas como origem dos processos de aprendizagem e desenvolvimento humano. Aprender significa participar numa comunidade de práticas (discursivas, o saber-fazer e a utilização dos recursos informáticos) e construir uma identidade dentro dessa comunidade. Aprendizagem pela descoberta guiada e ensino recíproco. Integração das tecnologias como produtos da actividade adaptativa e transformadora do ser humano.

Concluindo, o professor hoje, não é mais o detentor do conhecimento. Com a Internet, o professor passa a mediador, orientador do conhecimento adquirido de diversas fontes, deixa de estar isolado e passa a fazer um trabalho em conjunto, ou seja, cooperativo. O ambiente de aprendizagem conta com a participação, cooperação e colaboração de todos. O trabalho de grupo é fundamental e todos devem participar na resolução da tarefa. O trabalho deve ser cooperativo, colaborativo e interactivo.

Cooperativo, ou seja, trabalho de grupo em que todos participam de forma conjunta. A ferramenta informática pode ser um blogue, onde todos pôem o seu comentário ou Skype onde trocam experiências, oralmente. Colaborativo, através da troca de materiais via e-mail, se for a distância ou usando uma plataforma de aprendizagem como o Moodle. Interactivo, no sentido de tornar o trabalho integrado.

O professor, além de conhecer as teorias de aprendizagem, deve, também, saber utilizar os recursos disponíveis na Internet.

Teorias e modelos de aprendizagem - Actividade 3

As correntes da Psicologia não foram consensuais no que concerne ao estudo da aprendizagem. As teorias Comportamentalistas (behavioristas), focaram sobretudo a relação Estímulo-Resposta, e procuraram saber quais as leis que presidiam ao estabelecimento desta relação. As teorias Humanistas acentuaram sobretudo o carácter único da experiência de cada um, tendo por isso dificuldade em estabelecer leis gerais. As teorias Cognitivistas dirigiram a sua atenção para os processos cognitivos, isto é, para o que se passa na cabeça do sujeito entre a recepção de um estímulo e a execução de uma resposta.

Destas diferentes perspectivas surgem os princípios psicopedagógicos, e as técnicas de ensino que cada corrente considerou adequadas tendo em vista a eficácia da aprendizagem:

Teorias Comportamentalistas (behavioristas)
Princípios Psicopedagógicos
• Definir com maior exactidão possível os objectivos finais da aprendizagem;
• Análise cuidada da estrutura das tarefas, de modo a determinar os objectivos do percurso;
• Apresentação da matéria em sequências curtas de forma a permitir um melhor condicionamento do sujeito, conduzindo-o através de experiências positivas de aprendizagem;
• Apresentar estímulos capazes de suscitar as reacções adequadas às aprendizagens desejadas;
• Reforçar as reacções desejadas;
• Proporcionar o conhecimento dos resultados da aprendizagem como forma de retroalimentação do processo;
• Recompensar, retirar a recompensa ou punir, em função da relação entre o comportamento expresso e a aprendizagem desejada;
• Exercitar os comportamentos aprendidos.

Técnicas de Ensino
• Exercícios de repetição;
• Ensino individualizado, tipo programado;
• Demonstrações para imitação;
• Memorização.

Teorias Cognitivistas
Princípios Psicopedagógicos
• Motivação, motivar o sujeito para aprendizagem, relacionando as suas necessidades pessoais com os objectivos da própria aprendizagem;
• Valorização da experiência anterior, reconhecer que a estrutura cognitiva do sujeito depende da sua visão do mundo e das suas experiências anteriores;
• Estratégias de ensino adaptadas ao nível de desenvolvimento dos sujeitos;
• Relacionar o novo com o adquirido, ajudar os sujeitos a relacionar conhecimentos e habilidades novos com conhecimentos e habilidades anteriormente adquiridos;
• Valorização da compreensão em detrimento da memorização;
• Fornecer informações, indicar factos, fornecer pistas que facilitem a compreensão, organização e retenção dos conhecimentos;
• Valorizar a prática, a experimentação de novos conhecimentos, não equacionar a prática como repetição, mas concebê-la como uma série de tentativas sucessivas e variadas, que facilitem a transferência de habilidades e conhecimentos para novas situações;
• Sistematização: iniciar cada unidade de ensino apresentando conjuntos significativos e descer gradualmente ao pormenor.

Técnicas de Ensino
• Ensino pela descoberta;
• Apresentação dos objectivos;
• Introduções;
• Sumários;
• Questionários orientados para a compreensão;
• Esquemas;
• Debates;
• Discussões;
• Estudo de casos.

Teorias Humanistas
Princípios Psicopedagógicos
• A preocupação central não deve ser com o ensino, mas sim com a aprendizagem numa perspectiva de desenvolvimento da pessoa humana;
• Centrar a aprendizagem no sujeito e nas suas necessidades, na sua vontade e nos seus sentimentos;
• Desenvolver no indivíduo a responsabilidade pela auto-aprendizagem e incutir-lhe o espírito de auto-avaliação;
• Centrar a aprendizagem em actividades e experiências significativas para o educando;
• Desenvolver no seio do grupo relações interpessoais baseadas na empatia;
• Ensinar também a sentir e não apenas a pensar;
• Ensinar a aprender;
• Criar no seio do grupo uma atmosfera emocional positiva, que ajude o educando a integrar novas experiências e novas ideias;
• Promover a aprendizagem activa, orientada para processos de descoberta, autónomos e reflectidos.

Técnicas de Ensino
• Ensino individualizado;
• Discussões;
• Debates;
• Painéis;
• Simulações;
• Jogos de Papéis;
• Resolução de Problemas.


Justino Alves, the colors of shadow

Fonte: www.vimeo.com/2706308

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Gerhard Richter

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=HyyhhxZRjDs

Robotic Action Painter - Leonel Moura

RAP (Robotic Action Painter), created in 2006 for the Museum of Natural History in New York, is an individualist artist and not a swarm, but makes use of the same composition methods based on stigmergy and emergence. This robot is additionally able to determine, by its own means, the moment in which the painting is finished. Previous versions didn't have this capacity being conditioned by battery discharge or my will to stop the process. RAP's decision is taken based on the information that it gathers directly from the painting, what produces a considerable variation of time and form, since RAP can decide that the work is complete after a relatively short while (entailing accordingly a low pictorial expression) or can extend the picture construction for a quite long period, making it much more dense and complex. The "secret" of this behavior is in the significant change of the sensors, which passed from two to nine "eyes", allowing now the reading of local patterns, in addition to color spots. RAP is also my first robot to sign its works.


Fonte: http://www.leonelmoura.com/rap.html

Daniel Blaufuks "das buero" 110 x 160cm